Ontem assisti ao Musical Priscilla, a Rainha do Deserto e me emocionei.

Tinha 16 anos quando assisti a Priscilla, a Rainha do Deserto pela primeira vez no cinema. Era um daqueles dias em que o mundo parecia um pouco maior, um pouco mais colorido, e, pela primeira vez, eu sentia que havia algo além das fronteiras da cidade onde cresci.

O filme era diferente de tudo o que eu já tinha visto. A história de três drag queens atravessando o deserto australiano em um ônibus velho, decorado com plumas e glitter, me capturou de uma forma que não conseguia entender completamente na época. As cores vibrantes, os figurinos extravagantes e a trilha sonora, repleta de clássicos do pop, me transportaram para um mundo onde a expressão de quem você realmente é não apenas era permitida, mas celebrada.
Lembro-me de sair do cinema com uma mistura de emoções – alegria, curiosidade, e talvez uma pitada de confusão. Como era possível que um filme pudesse desafiar tantas normas e, ao mesmo tempo, ser tão envolvente? Eu não sabia muito como era ser gay, drag, ou qualquer coisa fora padrão social, mas, de alguma forma, aquelas personagens se tornaram heróis para mim. Heróis não por usarem vestidos e maquiagem, mas por ousarem viver a verdade deles em um mundo que nem sempre era receptivo.
Enquanto muitos dos meus amigos e colegas consumiam a cultura pop sem pensar muito no que ela representava, eu mergulhava fundo. A música, o cinema, e até a moda se tornaram formas de explorar identidades e culturas diferentes. Madonna, David Bowie, e tantos outros artistas que desafiavam convenções me ajudaram a perceber que o mundo era vasto e que havia espaço para todos nele. Priscilla abriu uma porta para esse entendimento, uma porta que eu jamais quis fechar.
Graças a meus pais, que sempre foram abertos e amorosos, nunca fui educada para julgar ou excluir. Eles me ensinaram, talvez sem saber, a importância de abraçar a diversidade em todas as suas formas. Nunca houve discursos de ódio em casa, apenas uma aceitação tranquila de que o mundo é feito de diferenças, e que são essas diferenças que tornam a vida tão interessante.
E assim, aos 16, ao som de "I Will Survive" ecoando em minha mente, comecei a formar minha visão de mundo. Uma visão onde as pessoas podiam ser quem quisessem, amar quem quisessem, e onde as cores do arco-íris podiam brilhar sem medo. Priscilla me mostrou que o deserto, por mais árido e inóspito que parecesse, podia ser um palco para a beleza, a coragem e a autenticidade. E essa lição, carregada com a trilha sonora da cultura pop dos anos 90, ficou comigo para sempre!

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