Perseverança a tônica destas décadas.
Nascida em 11978, um ano que parecia ser como qualquer outro, mas que para minha família, marcava o início de uma jornada de sobrevivência. De cara minha mãe e eu fomos vítimas de negligência médica e poucas horas saída da maternidade, quase sucumbi. Minha infância foi marcada por uma série de eventos que moldaram o mundo e minha própria resistência.
Nos anos 80, quando eu ainda era criança, o mundo enfrentava a epidemia de AIDS. Lembro-me das manchetes assustadoras e do medo que se espalhava, mesmo que eu não entendesse completamente o que estava acontecendo. Víamos morrer uma geração de artistas, pessoas influentes e conhecidos. Era como se o perigo estivesse sempre à espreita, algo invisível e mortal. Nossa vida também foi marcada pelos diversos planos econômicos que o Brasil adotou ao longo das décadas, na tentativa de estabilizar a economia e conter a inflação. Cada plano trouxe suas próprias turbulências e mudanças, afetando a vida de milhões de brasileiros, inclusive a minha.
Na virada do milênio, em 2000, as previsões catastróficas do bug do milênio não se concretizaram, mas logo em seguida, o mundo foi abalado pelos ataques de 11 de setembro de 2001. Aquilo mudou tudo. A sensação de segurança, que talvez fosse ingênua, foi brutalmente arrancada, e eu, como muitos outros, senti a urgência de viver de maneira mais consciente.
Em 2004, o tsunami no Oceano Índico trouxe uma devastação inimaginável. Assisti, impotente, às imagens de destruição e às histórias de perda que ecoaram pelo mundo. Em 2010, outro desastre natural, o terremoto no Haiti, reforçou a fragilidade da vida e a necessidade de solidariedade humana.
Chegando aos anos 2020, enfrentei a pandemia de COVID-19, que trouxe desafios inéditos. O isolamento, o medo constante de um inimigo invisível, e as perdas que sofremos foram um teste de resiliência para todos. Adaptar-me ao "novo normal" exigiu uma força que eu não sabia que tinha.
Os conflitos mundiais também deixaram suas marcas. As guerras no Iraque e no Afeganistão, os atentados terroristas em várias partes do mundo, e as crises de refugiados foram um lembrete constante de que a paz é frágil e preciosa.
Agora, em 2024, ao olhar para trás, vejo um rastro de eventos que testaram minha capacidade de resistir e me adaptar. Cada desafio, cada crise superada, construiu em mim uma fortaleza de resiliência. A sobrevivência, percebo, não é apenas física, mas também emocional e mental.
Viver até aqui, sobrevivendo a tantas tempestades, reforça a certeza de que, apesar das adversidades, a esperança e a capacidade de adaptação humana são imensas. E assim, continuo, com os olhos no futuro e a coragem que só quem sobreviveu a tantas provações pode entender.
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