Na psicanálise, os cuidados paliativos e o conceito de “boa morte” tocam em aspectos fundamentais sobre o enfrentamento do fim da vida, o luto, e a própria produção psíquica do termo da existência. Esse campo concentra-se na qualidade de vida até o momento da morte e em proporcionar condições para que o indivíduo e seus familiares possam enfrentar o fim com dignidade e sem sofrimento.

A morte é, então, é um tabu, uma ideia que a psique mantém à distância para permitir que o sujeito siga com seu “projeto de vida”. A psicanálise contemporânea, contudo, aborda os cuidados paliativos como uma oportunidade de luto antecipado, em que o paciente pode, no melhor cenário, construir uma relação mais consciente e serena com a própria finitude.

O conceito de “boa morte” sugere uma despedida com o mínimo de sofrimento psíquico e físico, em que os desejos, valores e significados individuais são respeitados. Para o paciente, isso pode significar uma demissão gradual, com o suporte emocional necessário, sem intervenções desnecessárias e com a presença de pessoas temporárias. Em suma, a psicanálise nos cuidados paliativos incentiva o trabalho interno de elaboração emocional, fornece ao paciente e à família ferramentas para suportar o processo da morte como uma etapa natural, o que pode contribuir para que o luto aconteça.