“E quando o mundo pesou demais, Helena respirou, renasceu. Transformou a mágoa em fronteira, o vazio em passo seu. Seguiu sem se fechar, inteira pra recomeçar.”
Dizia-se, entre os mais próximos, que Helena havia se afastado sem alarde. Alguns interpretaram como frieza, outros, como orgulho. Mas poucos perceberam que, por trás do silêncio, havia anos de pequenas fissuras que tinham se acumulado até se tornarem muralha.
E o que mais doía era perceber que sua excelência profissional - algo construído com rigor, sacrifício e profundidade - era tratada com desdém, como se fosse exagero, como se fosse arrogância. Não por incapacidade dos outros, mas pela acidez amarga que eles mesmos carregavam. Alguns eram vis na forma de diminuir, mas ainda assim queriam sua amizade, sua presença, seu ouvido atento. Era uma contradição que a machucava.
O que partiu Helena, porém, foi perceber que algumas dessas aberturas de foro íntimo - aquelas falas ditas quase em sussurro, na confiança de quem se sente protegido - foram mais tarde usadas para feri-la ou atacar os vínculos que ela tentava preservar. Aquilo ultrapassava desacordo ou conflito: tinha algo de inumano. Ali, ela finalmente entendeu que precisava se afastar para não se desfazer por dentro.
Ela escolheu crescer. Escolheu transformar a dor em entendimento, a mágoa em fronteira saudável, a solidão em recomeço. Não para apagar o que houve, mas para iluminar o que ainda virá. E, como numa canção que só se entende depois da última nota, ela finalmente reconheceu o próprio rumo.
“Quando o mundo me pesa, eu respiro e renasço - meu passo é minha canção.”
Texto: Gisa
Feliz Natal e uma Extraordinário 2026!