Aprendi psicopatologia no Juquery, mas aprendi, sobretudo, sobre humanidade.


Lembro de João do Capacete, que viveu mais de 30 anos internado e encontrou, no amor por Isolda, uma forma de continuar existindo em meio à dureza institucional.


Lembro de Natália, cuja morte fez outros pacientes perguntarem: “Quem vai lembrar de nós quando morrermos?”


Lembro da idosa que sonhava conhecer Aparecida do Norte e que, ao realizar esse desejo, me ensinou que saúde mental também é devolver futuro e permitir que alguém volte a desejar.


E nunca esqueço da paciente que segurou minha mão quando eu passei mal. Naquele dia, entendi que o cuidado não pertence apenas aos profissionais — ele pertence ao humano.


A luta antimanicomial é isso: lembrar que ninguém pode ser reduzido à sua dor, ao seu diagnóstico ou ao seu abandono.


Toda vida merece ser escutada.


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